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Trate um idoso com um senhor, e não como um bebê

Nem em casos de doenças, como demência e depressão, esse comportamento é bem-vindo. A geriatra explica que dizer “vou passar talco no meu bebê” e “vou colocar fralda no meu bebê” pode deixar o idoso triste, e essa tristeza levar à depressão. “Ele já teve uma trajetória e sabe que não é um bebê. O mesmo serve para quem faz xuxinhas no cabelo de idosas. A infantilização é ruim”. Para a pensionista Jacilda Teles Moura, 75 anos, a opinião dos idosos tem que ser respeitada. “Tenho três filhos e todos respeitam minhas decisões. Faço tudo o que posso sozinha: compras, viagens, saídas com os meus netos. Essa autonomia é importante para mim e para eles. Meus filhos têm a vida deles e eu, a minha. Como qualquer família, quando um precisa de ajuda, o outro auxilia. Apenas isso”. Jacilda conta que sabe que há idosos dependentes, mas acha que isso só pode acontecer se a pessoa estiver doente. “Não é certo que famílias infantilizem pais e avós. A dependência serve para quem tem uma doença e não pode sair da cama. Quem passou dos 60 anos não precisa fazer o que o filho manda ou esperar que ele lhe dê tudo na mão. Eu só aviso onde eu vou para que eles não fiquem preocupados, mas quem cuida da minha vida sou eu”. Tematizar a respeito dessa violência é contribuir para que ela cesse, quebrando com alguns estigmas e normas criados em torno da figura do idoso. A conscientização sobre a infantilização pode modificar a estrutura social, o idoso que foi instituído como improdutivo, altamente passivo e dependente, talvez possa resgatar a imagem do idoso que era transmissor de conhecimento aos mais jovens, que era posto no lugar do saber.

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